DÍZIMO E OFERTAS COMO FIDELIDADE AO PRÓXIMO

Nos últimos dois meses, encontrei cinco jovens que pararam de contribuir em suas igrejas porque descobriram que o dízimo não é uma prática neotestamentária. Eles tiveram contato com pregações e conteúdos postados na internet, e quando questionaram suas igrejas, não obtiveram respostas. Diante disso, esse texto visa apresentar uma visão conciliadora para o público que enfrenta esse dilema. Para isso, descrevi sete considerações sobre a contribuição no Novo Testamento.

1) O dízimo, assim como a circuncisão, era praticado em determinados contextos antes do surgimento do povo hebreu, era uma prática comum da época (Gn 14.18-24).

2) O dízimo foi instituído na lei de Moisés. Ele servia como uma expressão do reconhecimento de que Deus é dono de todas as coisas, sustento dos levitas (responsáveis pelo culto), ajuda aos estrangeiros, órfãos e viúvas (Dt 11.22-29; 14.22-29; 26.10-14). Essas contribuições estavam ligadas as práticas cúlticas do povo hebreus (Ml 3.6-12).

3) Toda lei cerimonial, incluindo o dízimo, era sombra do Messias ( Cl 2.16-17; Hb 9-10). Isso significa que por mais que ela continue a nos ensinar sobre o Cristo, ela cumpriu o seu papel com a morte e ressurreição de Jesus. Por isso não precisa-se mais oferecer sacrifícios, abster-se de alguns alimentos, ir em um templo em Jerusalém e etc. Nesse sentido, junto com todos o ritos cerimoniais, o dízimo cumpriu seu papel em Cristo.

4) Mesmo com as considerações acima, é evidente que a igreja neotestamentária tinha a prática da contribuição (At 4.37; Rm 15.25-27; 1Co 16.1-4; 2Co 8-9). Eles contribuíam de acordo com a sua renda (1Co 16.2), e “cada um” contribuía, ou seja, todos deveriam contribuir sem um sentimento de obrigação (2Co 9.7).

5) Dado o princípio de 2 Coríntios 9.7, não deve-se contribuir com um espírito de barganha ou medo. Assim como discursos que levem pessoas a esse tipo de contribuição devem ser repudiados.

6) Mesmo a barganha sendo um erro, existe uma bênção na contribuição. 2 Coríntios 9.8-12 ensina que quanto mais generosidade em ofertar, Deus, em seu poder, tornará o cristão ainda mais generoso. Se o crente semeia com generosidade colherá frutos da sua justiça (2Co 9.10).

7) Uma observação apurada dos textos que tratam sobre a temática no Novo Testamento, mostra que todos os versículos não tratam de um compromisso com Deus, mas com o irmão em Cristo. Pessoalmente falando, acredito que isso aconteça para nos ensinar que as ofertas tem menos a ver com fidelidade a Deus e mais a ver com fidelidade ao próximo.

De forma prática, considerando os princípios acima, não vejo problema em uma igreja adotar o dízimo como costume. Pois, independente da porcentagem, a prática contempla os princípios apresentados na consideração 4. Caso você esteja em uma comunidade de fé que tenha essa prática, te convido e ser fiel com seus irmãos e contribuir, até porque, imagino que você tenha feito um compromisso moral com eles em sua profissão de fé. Lembre-se que o melhor caminho é o da unidade. O ensino de contribuição neotestamentário não necessariamente anula a prática da contribuição periódica e proporcional.

Lucas Ramos Pereira

Lucas Ramos Pereira é Mestrando em Teologia no CPAJ e Bacharel em Teologia pela FBMG. Atualmente é pastor da Primeira Igreja Batista em Vila Pilho, Belo Horizonte/MG. Também atuou como Coordenador de Missões da JUBAM (Juventude Batista Mineira).

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