A FACE VAZIA DO PRÓXIMO E O EVANGELHO

A humanidade, no esforço de recusar a adoração a Deus, acaba por ter sua mente corrompida. Isso faz com que o ser humano crie ídolos na vida cotidiana (Rm 1.21-23), logo o efeito posterior é a desordem dos afetos (Rm 1.24-31). O que ocorre é que os homens começam a se desonrarem mutuamente. Isso acontece porque não conseguem mais entender a finalidade do próximo. Inveja, homicídio, rivalidades, engano, malícia, calunias, deslealdade, ganância e vingança se tornaram parte da prática do sujeito.

Isso significa que o outro se torna apenas uma coisa, um objeto, ou um meio. Assim como se usa um martelo a fim de fixar um prego em alguma superfície, o próximo é usado para sua própria satisfação, isto é, para descarregar sua raiva, promover-se no emprego, enriquecer-se, e etc.

Logo, na perceptiva bíblica, o relacionamento está desordenado quando o próximo torna-se um objeto de satisfação própria, ao invés de ter os fins para os quais Deus determinou para ele. Nesse sentido, relacionamento tem a ver com o valor e a finalidade de alguém. Um relacionamento desordenado ocorre quando a superfície do próximo fica vazia, ou seja, trata-se a pessoa de forma impessoal. Pois, se o sujeito perde pessoalidade, se torna uma “coisa” e logo é usado para o seu bel-prazer, tornando assim o corpo do outro um instrumento de autossatisfação.

Por isso é possível fazer atos de bondade sem que haja uma restauração dos relacionamentos. Isso acontece, por exemplo, quando o ato é movido pelo desejo de se sentir melhor, um alívio moral ou autopromoção. Obviamente, nesses casos, o outro se se tornou apenas um meio, um objeto para autossatisfação. Observe que a perspectiva bíblica de restauração dos relacionamentos vai além de fazer o bem ao outro. Relacionar-se dignamente com alguém também passa pela forma de enxerga-lo.

Diante disso pergunto-me: como falar de finalidade e propósito do próximo em uma sociedade que acredita que a realidade se resume à matéria? Quando se entende que nada mais existe além da matéria e todos somos frutos do acaso caminhando para o nada, seres humanos passam a não ter valor final definido, teleologicamente falando. Se tudo é fruto do acaso e não existe criador, não tem como falar de propósito.

Por fim, verdadeira restauração dos relacionamentos encontra-se em Deus e no evangelho. O pecado gerou uma desordem das afeições, o evangelho nos religa ao Criador (por meio de Cristo) e por consequência ao próximo. O evangelho nos permite enxergar a imagem de Deus no outro. Pelo evangelho que nossa adoração é restaurada (Rm 12.1), nossas mentes são renovadas (Rm 12.2); nele nossas afeições são redimidas (Rm 12.3-21).

Por isso, se é para levantar um bandeira, levantarei a bandeira do evangelho de Jesus. #BemVindoAoEvangelho

Lucas Ramos Pereira

Lucas Ramos Pereira é Mestrando em Teologia no CPAJ e Bacharel em Teologia pela FBMG. Atualmente é pastor da Primeira Igreja Batista em Vila Pilho, Belo Horizonte/MG. Também atuou como Coordenador de Missões da JUBAM (Juventude Batista Mineira).

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