RACISMO E O EVANGELHO

Com a recente polêmica relacionada ao fórum sobre racismo no Despertar da JBB, decidi escrever algumas resoluções sobre o tema. Muito do que vejo na internet sobre, está carregado de ideologia e ressignificações da Cruz e do evangelho. Alguns até com pressupostos do liberalismo teológico. Por isso, tenho entendido que o grande desafio da igreja não é simplesmente tratar sobre o tema, mas sim, falar sobre a problemática a partir do evangelho. Seguem algumas resoluções sobre a temática nas Escrituras:

  1. A Bíblia menciona de modo coerente que existe uma única raça humana. O discurso de Paulo em Atos 17.25-26 diz: “porque ele mesmo dá a todos vida […] De um só fez ele todos os povo, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar”. O texto mostra que existe uma unidade básica por trás da diversidade mundial.
  2. Todos são criados a imagem de Deus (Gn 1.27; 9.6). Esse é um princípio clássico que sempre deve ser lembrando em reflexões dessa temática. Ele implica em afirmar que qualquer agressão ao próximo, que é imagem de Deus, é essencialmente uma tentativa de rebelião contra Deus.
  3. Deus rejeita a parcialidade. Tiago 2.1-12 trata sobre a acepção de pessoas. Nesse texto, parece que aquela igreja estava oferecendo benefícios aos ricos e ignorando os pobres. Como o mandamento base que Tiago usa para fundamentar seu discurso  é o “amar o próximo como a si mesmo” (Tg 2.8), acredito que o princípio também pode ser aplicado às questões étnicas, já que o mandamento é amplo. A escritura condena qualquer tipo de acepção de pessoas seja social ou étnica.
  4. O problema do racismo não é puramente estrutural. Só existe racismo porque o pecado gerou uma desordem na criação, sobretudo no homem. O ensino bíblico da corrupção humana norteia parte da cosmovisão cristã protestante. Isso significada que toda humanidade foi afetada pelo pecado de Adão (Sl 14.1-3; 51.5; 53; 58.3; Is 64.6; Jr 13.23; 17.9; Jo 3.19-21; Rm 3.9-20; 1Co 2.14; Tg 3.2; 1Jo 1.8-10). Por isso a necessidade de redenção em Cristo Jesus. Logo, o problema central não é a estrutura, mas o homem. Por isso creio que a melhor forma da igreja local  combater o racismo é por meio do discipulado. Sendo assim, os discípulos de Cristo, que estão envolvidos em diversas esferas e camadas da sociedade, promoverão algum tipo de transformação da estrutura.
  5. Deus determinou antes da fundação do mundo a mistura étnica em sua igreja. O Deus que condena  acepção de pessoas não age com partidarismo. Ao contrário ele salvará pessoas de todas nações, tribos, povos e línguas (Ap 7.9-10).
  6. Alguns já sugeriram que a razão para a pele dos afrodescendentes ser nega é a maldição de Cam e seus descendentes. Outros afirmam que os descendentes de Cam ocuparam a Etiópia, que fica na África, e isso explicaria a pobreza atual do continente (ambos o fazem baseado no texto de Gn 9.18-27), mas basta olhar para a história e ver como a Etiópia foi um país rico; até o Egito foi um grande império. Uma simples leitura desse  texto bíblico não sugere de maneira nenhuma essa interpretação anticristã.
  7. Martin Luther King estava certo quando  disse em seu discurso: “Tenho um sonho, que meus quatro pequenos filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter.”. Parece que seu discurso pressupõe que seu sonho era que chegasse  um dia em que ser negro ou branco não importasse. Acredito ser esse o caminho, não é olhar de forma especial para o negro, mas entender que as diferenças étnicas não importam. Tudo que esse texto tratou até aqui culmina nessa afirmação de Martin.

Como pastor, pensando nessas resoluções, me vejo diante de duas responsabilidades. A primeira é fazer discípulos de Cristo, para que esses gerem outros os quais entrarão nas diversas esferas sociais com os valores do Reino. Segunda é lembrar a todos que sofrem de  racismo que um dia esse mal não existirá. A criação será redimida plenamente e não experimentaremos mais os efeitos do pecado, ou seja, o desafio é viver o aqui e agora com vista no ainda não (ou “no que virá”).

#BemVindoAoEvangelho

Lucas Ramos Pereira

Lucas Ramos Pereira é Mestrando em Teologia no CPAJ e Bacharel em Teologia pela FBMG. Atualmente é pastor da Primeira Igreja Batista em Vila Pilho, Belo Horizonte/MG. Também atuou como Coordenador de Missões da JUBAM (Juventude Batista Mineira).

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