POR QUE SER MEMBRO DE UMA IGREJA?

Recentemente recebi essa pergunta. Junto dela veio a afirmação: “membresia é só um nome no papel, criação humana”. Tanto o questionamento quanto a indagação do sujeito são válidos. Geralmente não existe orientação bíblica sobre a questão em nossas igrejas.

Antes de qualquer explanação, é importante traçamos uma diferença entre protestantes e católicos. O catolicismo romano acredita que não há salvação fora da igreja. Os protestantes defendem que não há salvação fora de Cristo. É importante essa distinção porque, como protestante, não estou tratando sobre salvação mas sobre prática cristã. Acredito que existe salvação fora da igreja (instituição).

Dado o esclarecimento, vamos ao ponto. Sim, nós precisamos estar ligados a membresia de uma igreja; isso é bíblico. Nossa primeira dificuldade com essa verdade surge quando vemos a igreja institucionalizada como algo negativo. Como se a igreja ideal fosse aquela que é apenas organismo vivo, se reúne nos lares, não tem nome nem placa e etc. Porém, parece-me que a Bíblia trata esse processo de institucionalização com naturalidade.

A igreja no Novo Testamento apresentava diversas marcas institucionais. Ela inicia apenas com os apóstolos e depois institui diáconos (At 6.1-7; 1Tm 3.8-13). Eles escolheram pastores (At 14.23), mais tarde Paulo chamaria esse grupo de presbíteros (1Tm 3.1-7). Em Atos 15.1-35 temos o primeiro concílio eclesiástico. Além disso existiam regras de funcionamento que os crentes deveriam observar a fim de que se comportassem adequadamente na “casa de Deus” (1Tm 3.14-15). Para receberem ajudas, as viúvas inscritas deveriam estar sob uma série de requisitos (1Tm 5.9-12). Todos esses são aspectos institucionais e a Escritura não os trata com repúdio, mas com total naturalidade.

Juntamente com isso observamos que a igreja neotesramentaria tinha um senso de membresia. Em 1 Corintios 5.1-6.11, Paulo trata sobre um jovem que estava mantendo relações sexuais com sua madrasta. Esse jovem havia sido exortado anteriormente, mas mantinha sua prática (1Co 5.3). A orientação de Paulo, nessa situação, é que ele fosse expulso da comunhão (1 Co 5.2, 5), para que “seu corpo seja destruído e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” . Isso deveria ser feito em uma das reuniões igreja (1 Co 5.4), ou seja, deveria ser uma decisão tomada em conjunto.

Depois dessa orientação prática, o apóstolo fundamenta seu discurso na Escritura. Ele retoma os elementos da Páscoa Judaica (1 Co 5.6-8), trazendo um sentido para o fermento. O elemento representava o pecado, por isso durante a festa da Páscoa os judeus deveriam abster-se do fermento em seus lares. Parece-me que assim como o sangue nos umbrais das portas e a ausência de fermento em casa delimitavam quem era do povo de Deus, a membresia da igreja tem esse papel. Se essa preocupação não existisse na igreja neotesramentaria, Paulo não falaria em “expulsar da comunhão” (1Co 5.2). Existia um tratado de comunhão entre os irmãos locais, hoje nos o chamamos de membresia.

Seja um tratado formal, no papel, como as igrejas institucionalizadas fazem, ou seja um tratado informal de igrejas que se reunem em casas, florestas, cavernas e etc, é importante que estejamos ligados à uma comunidade de fé local. Na escritura, compromisso, fidelidade, disciplina e serviço com outros irmãos na fé fazem parte da caminhada cristã.

Após a queda, em Genesis 4.1-16, observamos a ruptura que houve na relação com o próximo. A igreja é instituição criada por Deus que deve sinalizar que Deus está redimindo a relação entre aqueles que são imagem de Dele (humanidade). Por isso, crie um compromisso com seus irmãos locais, seja membro de uma igreja.

Lucas Ramos Pereira

Lucas Ramos Pereira é Bacharel em Teologia pela FBMG. Atualmente é pastor da Primeira Igreja Batista em Vila Pilho, Belo Horizonte/MG. Também atuou como Coordenador de Missões da JUBAM (Juventude Batista Mineira).

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