PECADINHO E PECADÃO

No ambiente eclesiástico, por diversas vezes me deparei com afirmações que aconteciam corriqueiramente. Desde a adolescência, quando fui convertido a Cristo, ouvia a seguinte afirmação: “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Fui surpreendido, porém, quando li o Salmo 5.5-6, que me mostrou que Deus “odeia todos os que praticam o mal. Destrói os mentirosos os assassinos e os traiçoeiros o Senhor detesta.”.

Vale ressaltar que o mesmo salmista reconhece: “Eu, porém, pelo teu grande amor, entrei na tua casa” (Salmos 5.7). Isso nos mostra que o mesmo Deus que odeia o pecador não deixa de agir com amor para com ele. Lembro-me que, quando me deparei com esse salmo, isso foi um grande motivador para eu praticar o amor mesmo àqueles que eu não gostava.

Após essas experiências comecei a questionar algumas afirmações que eu tinha como verdade. Uma delas foi: “Para Deus não existe pecadinho nem pecadão”. Será que isso é verdade? Nesse texto vamos nos dedicar a responder a seguinte pergunta: existe pecadinho e pecadão?

Para uma melhor resposta a essa pergunta, é necessário trabalhá-la dentro de três campos distintos, isto é, aspectos distintos do pecado: (1) o aspecto de culpabilidade; (2) o aspecto social; (3) o aspecto moral.

 

  • Culpabilidade

No sentido de culpa, de fato, não existe pecadinho e pecadão. Romanos 3.23 diz que todos pecaram e estão destruídos da glória de Deus. No caso, não existe distinção, todo pecado nos torna culpados perante Deus.  Toda a lei deixa a humanidade debaixo do juízo de Deus (Romanos 3.19-20). Por isso, nesse sentido, não existe distinção de pecado, pois todos nos tornam igualmente culpados, dignos da condenação.

 

  • Social

Dentro da sociedade, em nossa cultura, existe distinção, pois nesse caso alguns são piores do que outros. Isso porque algumas infrações apresentam consequências maiores do que outras. A condenação para um assassinato, por exemplo, é diferente da consequência de um furto de celular.

Isso acontecia na lei dos hebreus. Êxodo 21.22-23, mostra que a mulher grávida que fosse ferida e viesse a dar a luz prematuramente, devido a briga de dois homens, o ofensor seria punido. Não havendo dano grave, ele apenas pagaria a indenização. Caso houvesse algum dano mais grave à saúde da mulher, ele poderia vir a pagar com a própria vida.

Observe que existe uma punição mais severa para determinado erro e suas consequências. O que comprova que existe uma gravidade diferente para cada pecado, socialmente falando. O mesmo acontece em Êxodo 22, cada punição é de acordo com o erro cometido. No sentido social, existe pecadinho e pecadão.

 

  • Moral

Parece que no decorrer da Bíblia percebemos que Deus abomina alguns pecados mais do que outros. Observe que nos casos das mentiras das parteiras (Ex1.15-20) e de Raabe (Josué 2.2-5; 6.16) Deus trata de uma forma. No caso da mentira de Ananias de Safira (5.1-10) Deus  tem uma atitude diferente, parece uma punição muito mais severa. O ponto é: mentira é pecado! Entretanto, as motivações para o pecado nos dois primeiros  são muito distintas das motivações do caso de Ananias e Safira. De alguma forma, isso torna o pecado das parteiras e de Raabe menos abominável aos olhos de Deus.

Observe Provérbios 6.16-19: “Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos.”. O autor faz distinção na forma de Deus encarar alguns pecados, mostrando que moralmente existem pecados piores do que outros.

Nesse sentido, existe pecadinho e pecadão, pois alguns pecados são moralmente piores do que outros.

 

Conclusão

Então as respostas a pergunta “existe pecadinho e pecadão?” seria: (1)  no aspecto de culpabilidade, não; (2) no aspecto social, sim; (3) no aspecto moral, sim.

Esse ensino  nos incentivam a viver quatro princípios práticos. Primeiro ele nos mostra que devemos evitar o pecado a qualquer custo pois ele nos afasta de Deus. Segundo, ele nos motiva a nos apegarmos ao evangelho da graça. Saber que o pecado nos torna culpados diante de Deus, nos faz irmos à cruz e recorrer a Cristo como único e suficiente para salvação.

Em terceiro lugar, esse ensino nos motiva a viver uma vida social correta, cumprindo as leis e evitando o pecado contra o nosso próximo. Por último, esse ensino nos motiva a rever nossas motivações, pois elas podem nos tornar mais imorais do que já somos. #BemVindoAoEvangelho


 

Sobre o autor: Lucas Ramos Pereira é Bacharel em Teologia pela FBMG e pós-graduando em Teologia e Interpretação Bíblica pela FABAPAR. Atualmente atua como Coordenador de Missões da JUBAM (Juventude Batista Mineira). Também é pastor da Primeira Igreja Batista em Vila Pilho, Belo Horizonte/MG.

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