QUEM SOU EU? RESPOSTAS DE DEUS À NOSSA INDAGAÇÃO SOBRE IDENTIDADE

2ª RESPOSTA:  PECADOR

Gênesis 3.7-10

Vamos seguir nossa série sobre as repostas de Deus à nossa indagação sobre identidade: 

Ouvi esta semana uma afirmação interessante sobre as novas gerações: elas não acreditam em heróis. Elas ouviram que o superman caiu do cavalo, ficou tetraplégico e morreu[1]. De fato! Uma verdade sobre nós mesmos.

Não acreditamos que alguém possa ser tão perfeito ao ponto de nunca ter falhado, se entristecido, ter sido derrotado, ter acordado pela manhã sem saber o que fazer, sem ter pecado.

O grande problema é que muitos são tão cheios de si que, embora saibam que os outros não sejam perfeitos, não conseguem enxergar seus próprios defeitos. Não sabem ouvir alguém dizer a eles: você errou!

Mas há uma sentença na Bíblia CONTRA nós. O Deus Santo, Justo e Perfeito, pronuncia uma sentença CONTRA nós:

… Não há UM JUSTO SEQUER … Romanos 3.10

Num tempo em que queremos ouvir boas notícias, mensagens para nossa autoestima e nossa elevação pessoal, ouvir esta verdade dói. Mas são nas verdades anunciadas por Deus que recebemos nossa verdadeira identidade. Então, porque é importante ouvir que SOMOS PECADORES?

Antes, gostaria de dar uma definição sobre o que é pecado com base no Catecismo Nova Cidade na pergunta 16:

Pecado é rejeitarmos ou ignorarmos a Deus no mundo que ele criou, rebelando-nos contra ele e vivendo sem tê-lo como referencial em nossa vida, não sermos ou fazermos o que ele requer em sua lei – o que resulta em nossa morte e na desintegração de toda a criação.

Ou seja, o pecado é um ato de rebelião contra o bom governo de Deus. É uma tentativa espúria de declarar independência em relação ao domínio soberano de Deus. Porém, diante desta atitude suportar consequências cósmicas sobre nós mesmos e sobre toda a criação de Deus.

A.     OS EFEITOS DO PECADO

Nesta segunda resposta de Deus sobre nossa identidade, vamos recorrer ao texto de Gênesis novamente. Porém, agora no capítulo 3. O capítulo que contra sobre a entrada do primeiro pecado no mundo: a queda do homem.

A Bíblia nos ensina que a serpente (que mais tarde será conhecida como satanás –Ap 12) tentou Eva a comer o fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Em sua omissão, Adão permite que isto aconteça e ambos imediatamente sentem os efeitos do pecado.

Vamos ver então quais as consequências do pecado sobre a nossa vida e como isto nos ensina sobre a graça e misericórdia de Deus:

1º VERGONHA (3.7). Vergonha do que acabaram de cometer contra Deus e por não terem tido o resultado de felicidade prometido pela prática do pecado. Com isto, eles tentam, de uma forma bem ridícula cobrir sua vergonha moral com folhas de figueira.

Você já sentiu vergonha pelo que fez ou disse? É uma sensação horrível. Sua vontade é de “cavar um buraco no chão”. Bem, este é nosso problema em relação a Deus. Agora, todas os nossos pensamentos estão bem expostos diante de Deus. O que você faria se seu pai/mãe ou marido/ esposa escutassem todos os pensamentos de sua cabeça? Deus faz isto!

Porém, o que tentamos fazer é cobrir nossa vergonha com “folhas de figueira”. Tentamos compensar o que foi dito ou feito com uma outra boa ação. Alguém disse uma vez: há algumas coisas que não voltam nunca: flechas lançadas, palavras ditas e oportunidades perdidas. Não dá para compensar nossa falha com Deus. Não adianta você pensar em compensar sua vida de vergonha com algumas boas atitudes lá na frente. Suas falhas sempre estarão diante de você.

2º MEDO (3.8). O primeiro casal se escondeu. Eles sabiam da sentença de Deus contra o pecado (2.17: No dia em que dela comerdes, certamente morrerás). Por mais que eles tenham se deleitado ao comer o fruto, a sentença ainda estava lá. A qualquer momento o juízo de Deus poderia vir sobre eles.

Sabe aquela sensação de medo quando você passa por uma blitz sem os documentos? O medo de ser multado é intenso. Você torce para que os guardas não te vejam. Mas quando pecamos contra Deus (e nós sabemos que fazemos isto, porque nossa consciência nos condena) e tentamos nos esconder é o mesmo que passar por uma blitz com o carro sem farol, sem o cinto de segurança, com os pneus carecas e ainda um adesivo de maconha bem grande no capô do carro.

O medo tem um efeito interessante sobre o ser humano. Algumas respostas ao medo é se esconder, fugir, até mesmo negar que o perigo existe. Assim é o que fazemos quando estamos com medo de Deus: Negamos que ele existe; Negamos seu juízo sobre o pecado (Deus é amor, ele nunca vai me castigar!).

3º CULPA (3.9,10). A culpa sentida pelo primeiro casal se apresenta na resposta que eles dão a Deus. Adão se autojustifica culpando a mulher. A mulher se autojustifica culpando a serpente. Esta é uma das tentativas de se livrar do pecado se isentando da culpa e da responsabilidade por seus erros.

A autojustificação é uma tentativa frustrante de se obter a salvação. Se livrar da culpa por bons argumentos não nos exime do que cometemos. Editores de um jornal em Londres pediram que escritores eminentes contribuíssem com alguns pequenos artigos sobre o tema “o que há de errado com o mundo? ”, G.K. Chesterton respondeu: “Prezados Senhores, Eu. Cordialmente, G.K. Chesterton”.

A insistente rebelião do ser humano o leva a recusar reconhecer seu erro. Antes, o torna mais habilidoso a colocar a culpa no outro ou em outros fatores. Quem sabe até mesmo em Deus (A mulher que TU ME DESTE).

B.     COMO DEUS RESOLVE OS EFEITOS DO PECADO?

A reposta de Deus diante do pecado é uma resposta redentiva:

Então o Senhor disse a serpente: … Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. E o SENHOR Deus fez roupas de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu. Gênesis 3.15, 21

Estes versos são a proposta redentiva de Deus que se desenvolverá por toda a Bíblia. Ele substituiria os descendentes caídos por um descendente perfeito que poria fim ao problema do pecado. Deus faria isto e não o homem, Ele cobriria o homem com um sacrifício. Como isto acontece?

Jesus Cristo nascido de uma mulher vive a vida que não conseguimos viver para morrer a morte que merecíamos morrer. Na cruz, Jesus sofre uma morte vergonhosa e humilhante e é tratado como maldito para que nós fôssemos reconciliados com Deus e tratados com honra e dignidade:

Cristo nos resgatou da maldição da lei, tornando-se maldição em nosso favor, pois está escrito: maldito todo aquele que for pendurado em um madeiro. Gálatas 3.13

Em Cristo, experimentamos a segurança eterna de nossa aceitação. Não há mais a sentença contra nós. Portanto não há mais medo. O que há agora é a segurança que fomos declarados justos diante de Deus:

Justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo … Mas Deus prova o seu amor para conosco ao ter Cristo morrido por nós quando ainda éramos pecadores. Romanos 5.1,8

Por fim, não temos mais culpa. Ele removeu nossa culpa sobre a cruz. Ele tirou nossos pecados e nos libertou. Trouxe seu Espírito que nos lembra que somos inocentes pelo sangue de Jesus:

Daquele que não tinha pecado Deus fez um sacrifício pelo pecado em nosso favor, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. 2 Coríntios 5.21

Portanto, agora já não há condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus … Romanos 8.1

Conclusão

Diante desta realidade que somos pecadores, como podemos encarar a vida?

  1. Não seja um herói. Entenda que você precisa de um salvador e não tente se enganar e viver como se nunca fosse falhar. Espere as falhas acontecerem e confiem em Cristo com base na promessa de justificação.
  2. Aprende a conviver mais pacientemente com as falhas dos outros. Quando aprendemos sobre nossas falhas, aprendemos a agir com paciência e bondade com os pecados alheios. Nos tornamos menos juízes do nosso próximo e nos tornamos mais prontos em aconselhar e ajudar o próximo a superar seus pecados apontado sempre para única forma de redenção: jesus Cristo.

#BemVindoAoEvangelho

Autor: Rafael Moraes Bezerra é formado em Direito pela UFJF; mestre no programa Master of Divinity pela EPPIBA (Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia) em parceria com a TLI (Training Leaders International); Pastor auxiliar da Primeira Igreja Batista em Ubá/MG

[1] Uma alusão ao ator que interpretou um dos filmes do Superman.

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