Deus realmente disse?

Adão e Eva gozaram de perfeita comunhão com Deus no jardim. Eles ouviam e falavam diretamente com Deus. Não havia distrações pecaminosas que se encaixassem entre a palavra de Deus e sua obediência. Suas vidas giravam em torno da palavra de Deus. Mas a serpente deslizou sobre o ombro de Eva e sussurrou a primeira mentira. Mentira essa que ainda ecoa nos muros de nossos corações: “Deus realmente disse?” (Gênesis 3. 1). E nessa pergunta toda a humanidade afundou-se.

Podemos aplicar a Palavra de Deus em diversas situações. Mas vejamos um ponto onde o cristão geralmente se perde, o sofrimento. Talvez se perca pela tentação mundana e diabólica onde o forte é importante, e também pela teologia incorreta disseminada nos quatro cantos tupiniquins.

A tentação mundana e a teologia incorreta

A tentação mundana valoriza o forte, e pior, faz que apenas os fortes sintam-se importantes. Logo, aqueles que estão em algum momento de fraqueza são desprezados. Segundo o Apóstolo Paulo, para aqueles que estão no mundo, fraqueza, privações, perdas e a morte é sinal de destruição. Mas para os filhos de Deus é sinal de salvação, e isso da parte de Deus ( Filipenses 1. 28 ). O convite do Evangelho diz que seguir Jesus custará à vida do seguidor ( Mateus 16. 24, 25 ).

“Jesus não morreu para tornar nossa vida mais fácil ou mais próspera. Ele morreu para remover todos os obstáculos que nos impedem a alegria permanente de termos decidido viver para ele. Jesus nos convida a sofrer por ele, porque o sofrimento que suportamos com alegria mostra que ele vale mais do que todas as recompensas terrenas, que agradam ao mundo. Se seguimos a Jesus somente porque ele torna a vida mais fácil, o mundo entenderá que amamos as mesmas coisas que eles amam e que Jesus tão-somente proporciona algumas facilidades – para alcançarmos o mesmo que eles ( grifo meu ). No entanto, se sofrermos com Jesus no caminho do amor, por ser ele nosso tesouro supremo, deixaremos transparecer para o mundo que nosso coração almeja uma fortuna diferente. É por isso que Jesus nos dá este mandamento: negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”. [2]

A teologia incorreta segue a mesma linha da tentação mundana. Entretanto ela é mais destruidora por estar travestida do divino, sagrado. Mas é maligna! ( 2 Coríntios 11. 14 ). Ela se caracteriza por dizer em nome de Deus, ou como o próprio Deus, aquilo que Ele não disse. Aquilo que não é a Palavra de Deus, penetrado nos corações humanos produz: rebeldia contra Deus e o esquecimento dEle ( Jeremias 23. 27 e 32 ). Toda falta de entendimento vem pelo “Jesus” fabricado pelos pregoeiros ilusórios. Fabricado para satisfazer uma multidão insaciável de desejos pecaminosos.

atualmente, por exemplo, encontramos o Jesus capitalista competindo com Jesus socialista. Há também o Jesus privado se opondo ao Jesus glutão. Sem falar nos musicais – Godspell, com o Jesus palhaço, e o Jesus Cristo SuperStar. Existem muitos outros. Porém, todos distorcidos e nenhum deles merece nossa adoração”. [3]

A promessa de Deus

Agora pense na mais severa dor. Perdas, doenças e a morte. Não podemos nos iludir em meio ao sofrimento. Pode ser que Deus realize um milagre, pode ser, mas essa não é nossa âncora, pois ela depende da vontade soberana de Deus. Entretanto existe uma promessa estabelecida na eternidade: “eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” ( Mateus 28. 20 ).

O amor genuíno entre duas pessoas não precisa de sinais, mas da pessoa amada. Nesse sentido o “eis que estou convosco” é tudo que precisamos. Creia, Deus está! Ah, mas nesse momento a serpente novamente deslizará sobre ombro cristão e dirá: “Deus realmente disse?” Essa pergunta pode vir de um filósofo antigo dizendo: “penso, logo existo”. Ou num outdoor mundano exposto na principal avenida da sua cidade: “você pode ser o que quiser”; ou ainda de um cristão e até líder religioso dizendo: “se você tiver fé, Deus fará”. E quem sabe de você mesmo: “porque sofro tanto”; “ninguém sofre assim”; “tenho pena de mim mesmo”; “estou envergonhado”; “vai passar”; Nessa hora, “resista ao diabo e ele fugirá de você” ( Tiago 4. 7 ). Se ouvirmos as vozes externas e a própria voz do coração seremos novamente seduzidos pela serpente. Nesse momento devemos correr para Palavra de Deus, sua promessa: Eu estou com você!!!

Deus sabe que dói, ó… Ele sabe! Mas ele está, o maior presente, Deus! No Reino de Deus é diferente. O último é o primeiro. O fraco é forte. O menor é o maior. Corramos para Sua Palavra e ela em Cristo  pelo seu Espírito nos converterá a Deus. E em meio a mais severa dor e tentação “ele vivificará os nossos corpos mortais” (Romanos 8.  11). E ainda enchendo nosso coração de paz. A verdadeira paz “que guardará nossas mentes e corações de toda tentação” ( Filipenses 4. 7 ). A eternidade é logo ali; Bendito seja Deus.

#BemVindoAoEvangelho

[1] BÍBLIA SAGRADA, Ferreira J. Almeida Revista e Corrigida. Barueri, SP: SBB, 2009

[2] PIPER, John. O que Jesus Espera de seus Seguidores. pág. 77 – São Paulo, SP: Editora Vida, 2008.

[3] STTOT, John. O Discípulo Radical. pág. 37 – Viçosa, MG: Editora Ultimato, 2011.

Sobre o Autor: Eduardo Fagundes de Oliveira é casado com Karolina Oliveira e papai da Helena. Graduado em Teologia, pós-graduando em Teologia do Novo Testamento Aplicada pela FABAPAR (Faculdade Batista do Paraná) e Pastor da Congregação Batista Boas Novas,  Santos Dumont/MG

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