A CRÍTICA CRISTÃ DA ARTE

Talvez os últimos acontecimentos no campo das artes sejam culpa nossa! O quê? Como assim, culpa nossa? Explico. Talvez tenhamos perdido a dimensão do “senhorio de Cristo”. Conforme diz Schaeffer: “Não entendemos o conceito do senhorio de Cristo sobre a totalidade do ser humano e sobre todo o universo e não nos apropriamos das riquezas que a Bíblia oferece para nós mesmos, nossa vida e nossa cultura”.

Sim, por muitos anos demonizamos toda e qualquer manifestação artística fora do âmbito da igreja protestante. Assim, não sabemos lidar com uma verdadeira deturpação dos valores cristãos dentro das expressões artísticas. Entregamos de bandeja significados objetivos do que é belo, bom e verdadeiro.

A proposta protestante, de uma forma geral, foi uma abstenção do que é “secular”, “mundano”, “carnal”. Porém, não é essa proposta bíblica. Francis Schaeffer vislumbrou essa limitação do senhorio de cristo a uma pequena esfera da realidade. Assim, ele expõe como podemos recuperar a abrangência do que Abraham Kuyper já havia dito, “não existe um só centímetro quadrado neste mundo em que Cristo não diga: É meu”.

Schaeffer nos lembra, então, a história da redenção – o Evangelho:

  • Deus fez o homem todo;
  • Em Cristo o Homem todo é redimido;
  • Cristo é Senhor do Homem todo agora e Senhor da vida cristã toda;
  • No futuro, quando Cristo retornar, o corpo será ressuscitado dentre os mortos e o homem todo terá uma redenção completa;

Assim, a verdadeira espiritualidade é o Senhorio de Cristo sobre o homem todo. Como “homem todo” entenda todas as esferas da vida humana, inclusive as artes. É hora de pensarmos o quanto o Evangelho fala a todas as áreas da existência humana. Portanto, uma obra de arte, pode e deveria ser feita e admirada como uma boa doxologia, ou seja, para glória de Deus.

Porém, esta entrega custou caro! As artes que poderiam ter sido usadas para promover educação, diálogos construtivos e visão de mundo, estão sendo usadas como promoção de “artistas”, de patrocinadores, de conceitos deturpados, incoerentes e inconsistentes, e principalmente de bom-senso e bom-gosto.

Por mais que a arte possa ser demonstrada de forma abstrata, ela deveria carregar conceitos objetivos como beleza, bondade/moralidade e verdade. Porém, não é isto que vemos. Talvez aqui recebamos algumas críticas. Alguns podem dizer que o que é belo para mim, pode não ser belo para ele. Será isto mesmo?

Pense no seguinte exemplo (e já peço desculpa por ele): Um pouco de fezes coletado em um pote. De uma forma geral, todos pensaríamos que se trata de um exame apresentado em laboratório. Porém, se este mesmo pote fosse apresentado por um “grande e renomado artista”, patrocinado por um grande agente financeiro, alguns diriam que se trata de uma ideia de vanguarda e brilhante e muitos pagariam muito dinheiro para ter acesso ao objeto artístico.

Mas, veja que mesmo neste caso, existe objetividade: quem expõe a obra merece o devido crédito por ela.

Outro exemplo seria uma criança tocando o corpo de um homem nu enquanto a mãe da criança olha com aprovação para a cena. Descrito este cenário para qualquer pessoa, imediatamente se ligaria para polícia. Porém, apresentado em um museu de artes modernas, olhares ficariam admirados e perplexos com a capacidade criativa do artista.

Bem, a arte moderna tem um grau de permissibilidade muito acentuado e por isto afasta-se de padrões estéticos chegando em uma linha tênue onde qualquer coisa, de uma pedra a dejetos humanos, são considerados arte. E como a arte é uma forma do artista expor sua opinião e como nenhuma opinião, segundo a ótica do mundo pós-moderno, deve ser censurada caímos em uma teia de expressões e significados em que tudo é possível e é permitido. Opiniões contrárias ao que o artista expressa através de sua obra é vista como censura, ataque da direita, excessiva moralidade e “quadradismo”.

O ponto central da arte é a fruição dos espectadores, é a interpretação feita da obra, o que aquilo traz a quem a experiencia.

Pense na seguinte questão: diante de uma performance artística, uma peça de teatro, uma música ou uma obra de arte em um museu em que minha experiência não for positiva, me trouxer constrangimento, ferir a minha crença e a minha moral eu devo me conter? Se a minha experiência com arte for negativa eu devo guardar minha opinião? Me calar diante de algo que não me acrescenta e que provavelmente irá indignar e causar constrangimento a outras pessoas?

Quem faz algo para expor à sociedade têm que estar preparado para ser elogiado ou criticado. E quando a arte extrapola o limite da moral, do respeito e da dignidade o artista deve arcar com o impacto negativo que sua obra causar.

Quem apoia as obras polêmicas as quais vem causando grande repercussão nas mídias (referindo-se a galerias de artes, museus, empresas patrocinadoras e mídias sociais) está tendo exatamente o que desejam, a visibilidade, a fama fazendo sua propaganda, caindo na boca do povo! E na contramão estão as pessoas que ainda acreditam em um mundo com mais respeito e que não deve se calar diante de manifestações artísticas apelativas.

Portanto, oferecemos aqui a crítica cristã ás artes. Cremos que há um padrão objetivo sob o qual examinamos o mundo, inclusive manifestações culturais.

A beleza refere-se ao que é natural, ainda que o represente de forma distorcida ou imaginária. Porém, a beleza é restringida pelo que é moral/bom. A moralidade que existe na consciência de todos ser humano e ainda que não ofenda o artista, refreia-se no que tange a ofensa ao outro. Por fim, vem o que é verdadeiro. A verdade é única e objetiva. Ele expressa quem o ser humano é de fato.

Assim, o que nós vemos é que grande parte da artes  produzidas recentemente expressam a rebelião do ser humano contra Deus (verdadeiramente belo, bom e verdadeiro) e, portanto, manifesta a fealdade e o desespero do ser humano que perdeu seu referencial a muito tempo.

Encerramos citando o apóstolo Paulo que em sua carta aos Romanos revela que o ser humano tem distorcido a verdade de Deus em mentira, a glória do Deus invisível em imagens das criaturas e rejeitaram o conhecimento de Deus ao abraçar suas próprias corrupções condenáveis (Romanos 1.18-32)

Temos uma resposta ao conteúdo artístico moderno. Esta resposta é o Evangelho.

#BemVindoAoEvangelho

Autores: Rafael Moraes Bezerra é formado em Direito pela UFJF; mestre no programa Master of Divinity pela EPPIBA (Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia) em parceria com a TLI (Training Leaders International); Pastor auxiliar da Primeira Igreja Batista em Ubá/MG

Ludimila Marinho Castro, Graduada em Economia Doméstica pela UFV, Pós-Graduada em Moda, Cultura e Artes pela UFJF, Mestre em Economia Doméstica pela UFV

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