EVANGELIZAÇÃO: COBRANÇA OU PRIVILÉGIO?

Um breve estudo no texto de Ezequiel 3.16-21

O Livro de Ezequiel trata de como Deus defende sua honra através do profeta. Deus usa Ezequiel dessa forma, pois seu povo o difamou diante de todas as outras nações. Ao ler o livro de Ezequiel nos lembramos que Israel foi chamado a espalhar a glória de Deus às nações (Gênesis 12.1-3; Isaías 49.6; 60.3).

Nos versículos 3.16-21, Deus chama Ezequiel para ser um Atalaia, um vigia, e o incube de profetizar a um povo que não daria ouvidos. Porém, mesmo diante da dureza do coração do povo, Ezequiel deveria ser fiel à Palavra para que sua própria vida fosse preservada.

Devemos ter em mente que o texto de Ezequiel diz respeito à nação de Israel e seu iminente perigo de destruição enquanto nação. Eles pecaram contra o Senhor, desonrando a santidade de Deus. O Senhor proveu o profeta para comunicar o juízo que viria sobre o povo, porém previu a dureza dos corações em rejeitar a mensagem e o profeta. Assim, Deus executou seu juízo. Destruiu a nação e os enviou ao exílio. Porém, Deus prometeu a breve restauração que aconteceria anos mais tarde.

Como pensamos neste texto bíblico e na missão da Igreja em proclamar o Evangelho? Muitos erram ao atribuir um peso àqueles que não se envolvem com missões. Nosso envolvimento com Deus não é mais por medo, mas sim por amor à sua Glória que nos libertou do pecado.

A missão da Igreja é anunciar a grande misericórdia de Deus em perdoar pecadores através da Obra de Cristo na cruz e assim espalhar a glória de Deus entre as nações trazendo-as de volta ao seu criador, assim como era o papel de Israel no A.T. Assim, somos responsáveis em comunicar o Evangelho de Cristo ao menos por dois motivos.

  • Estamos comprometidos com a Glória de Deus. Exaltar a Deus em toda sua dignidade é cumprir o papel para o qual fomos chamados (Efésios 1.3-14). Quando cumprimos o mandamento de Mateus 28.18-20, estamos enchendo toda terra da Glória de Deus (Habacuque 2.14). Esse compromisso exige de nós fidelidade à Palavra de Deus, assim como foi exigido do profeta Ezequiel. Fidelidade à sua Mensagem, ao verdadeiro Evangelho. Por isso, aqueles que pregam “outro Evangelho” (Gálatas 1.6,7 – Evangelho da prosperidade, autoajuda, bem-estar social, legalismo, etc.) não fazem outra coisa a não ser endurecer ainda mais o coração dos incrédulos.
  • Estamos envolvidos no nosso próprio bem-estar. Proclamar a Glória de Deus é participar do que Deus mais ama: sua própria Glória. Quando anunciamos o Evangelho, estamos aumentando nossa alegria ao servir outros com o delicioso banquete do qual nos alimentamos diariamente: O Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Fuller* diz o seguinte: “como iremos exultar na glória de Deus por toda a eternidade, devemos nos alegrar em tudo o que ele fizer para evitar que sua glória seja profanada”. Ou seja, há grande alegria em proclamar as Boas Novas de que Deus é o único Senhor. Enquanto vivermos sob o peso da culpa de não proclamar a Cristo, não descobriremos a grande alegria e prazer em anunciar o Evangelho. Assim como Ezequiel, descobrimos prazer ao sermos chamados a comunicar a Mensagem (Ezequiel 3.1-3).

Voltando ao texto de Ezequiel, descobrimos que não se aplica completamente a nós, Igreja. Se não compreendermos o texto (… se não advertires e não disseres nada para adverti-lo do seu caminho mau… mas exigirei da tua mão o sangue dele. Ezequiel 3.18), podemos nos sobrecarregar com uma cobrança que Deus não nos impõe à luz do Novo Testamento . Porém, devemos nos lembrar que Cristo, o Atalaia de Deus, veio ao mundo e anunciou, ao custo de seu próprio sangue, que os homens estão sob a ira de Deus e que necessitam arrepender-se e crer no único Senhor e Salvador: Jesus Cristo.

O que cabe a nós é descobrir a alegria que temos ao proclamar o Evangelho com fidelidade ao que está nas Escrituras.

Se, pois, o faço de boa vontade, tenho recompensa. Mas, se não é de boa vontade, estou apenas encarregado de uma tarefa. 1 Corintios 9.17

#BemVindoAoEvangelho

 

Sobre o autor: Rafael Moraes Bezerra é formado em Direito pela UFJF; mestre no programa Master of Divinity pela EPPIBA (Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia) em parceria com a TLI (Training Leaders International); Pastor auxiliar da Primeira Igreja Batista em Ubá/MG

  • Fuller, Daniel P. A unidade da Bíblia: o desenvolvimento do plano de Deus para a humanidade. São Paulo: Shedd Publicações, 2014.

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