Sobre Bullying e a série #13ReasonsWhy

Eu sofri bullying por boa parte da minha vida escolar. Fui agredido por garotos mais velhos, perdi canetas, cadernos, e outras coisas, por terem sido “escondidas”, mas nunca devolvidas. Fui obrigado a pagar lanche ou entregar o meu para ficar bem com meus agressores. Era motivo de chacota e piada de muitos colegas, que abaixavam minhas calças, escondiam meu tênis, ou se aproveitavam de um “babau” de brincadeira para me violentarem. Boa parte das pessoas sabia das violências que eu sofria, mas ao verem meu sorriso no rosto, “achando graça” de tudo isso, acreditavam que tudo não passava de mera brincadeira. De fato, é difícil imaginar que adolescentes possam ser tão maus, que possam maquinar tanto o mal contra alguém simplesmente porque não tem condições físicas de se defender diante de colegas mais velhos e mais fortes que ele. Ao ver a história de Hannah, lembrei da minha, que já nem lembrava mais, e pensei nos muitos adolescentes que vivem hoje o que eu vivi e, que, diferente de mim, podem ter reações mais parecidas como as de Hannah. Assim, deixe-me compartilhar algumas conclusões minhas, sobre bullying:

1. Bullying machuca – Enquanto eu sofria bullying ria bastante com meus agressores. Na verdade, eu os amava. Acreditava que esse era o único meio de ter amizade deles, então eu poderia sofrer um pouco para poder participar do grupo.

2. Bullying é contagiante – Os meus agressores conseguiam incentivar outros a também entrarem na “brincadeira”. E eu mesmo, pratiquei agressões contra outros, reproduzindo o que era feito comigo.

3. Bullying não é brincadeira – O que é chamado de brincadeira é um ato de dominação, subjugação e sadismo. Há grande prazer por parte dos que praticam as agressões em ver a humilhação e o sofrimento do outro. Esse sentimento de forma alguma pode ser considerado natural ou que deve ser estimulado. Ele trará consequências tanto para quem é agredido quanto para quem agride, imprimindo neste uma expectativa da vida que é falsa e perversa.

4. Bullying não começa na escola – O bullying é um reflexo familiar. Nisto #13ReasonsWhy pode contribuir bastante para a popularização desta discussão. Ao mostrar pais perdidos, desconectados e agressores dos filhos, chamou à responsabilidade aqueles que precisam estar mais atentos. É em casa o local mais propício para que os agressores sejam reconhecidos e possam ser ajudados, como os que sofrem agressões poderem encontrar meios de lidar com isso.

5. Há esperança para quem sofre bullying – Sofrer bullying não faz de você um fracassado na vida. O período escolar é um período muito curto para que você, adolescente, deposite todos os seus créditos. Jesus Cristo foi a pessoa mais agredida de toda a história da humanidade. A Bíblia nos diz que pelas feridas dele nós fomos sarados (Is 53. 5), isso inclui as feridas físicas e da alma que as agressões podem trazer. Em Cristo é possível encontrar esperança e saber que apesar do mal que podem fazer contra você, Cristo transforma em bem pelo seu poder redentor.

6. Há esperança para quem faz bullying – O desejo de demonstrar superioridade e força para com os amigos é uma tentativa de ser aceito, semelhante ao que sofre o bullying. De fato, os dois estão no mesmo barco, são dois lados da mesma moeda. Mas esse desejo é impossível de ser satisfeito, não podemos agradar todo mundo. A vida é muito mais do que o tempo de escola e criar laços de afeto e amizade são muito mais importantes do que de superioridade. Jesus intercedeu pelos seus transgressores numa profunda demonstração de amor sacrificial (Lc 23.34). Ele também pode interceder pelos agressores de hoje. Você pode ser perdoado por Deus e, assim, transformar suas agressões em ações que beneficiem os outros, especialmente aqueles que não podem te beneficiar.

Espero que agressor e agredido possam encontrar paz no Evangelho de Cristo, andando juntos em verdadeira amizade, sem violência, mas com amor.


Autor: Ronaldo Vasconcelos é pastor da Igreja Presbiteriana de Santa Maria.

Fonte: Facebook

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